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No meu governo?:

A polícia abre o primeiro inquérito na Lava-Jato para investigar a corrupção na Petrobras na era FHC, mas os suspeitos são os mesmos de sempre

DEPOIS DE mais de dois anos de investigações, a Lava-Jato avançou pela primeira vez sobre o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o pagamento de propinas na estatal entre 1999 e 2001, que foi delatado no fim do ano passado por Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras. Cerveró admitiu ter recebido 700 000 dólares na Suíça pelo esquema, cujo principal beneficiário seria o ex-senador Delcídio do Amaral, seu chefe naquela ocasião. Como diretor de Óleo e Gás da Petrobras, Delcídio teria levado 10 milhões de dólares.

Na época, o país enfrentava a crise do “apagão”, e o governo foi obrigado a erguer usinas termelétricas de emergência para compensar a queda na produção de energia provocada pela seca. A propina foi paga, afirmou Cerveró, para a aquisição de turbinas da Alstom (depois comprada pela General Electric) sem licitação. A falcatrua teria sido relatada a Cerveró por um representante da própria multinacional, Afonso Pinto Guimarães, que ofereceu a ele uma parte do bolo da corrupção comandado por Delcídio.

Em sua delação, Delcídio nada disse sobre essa propina. Mas revelou os bastidores de sua indicação. Ele chegou ao posto por influência do PMDB, que estava insatisfeito com a distribuição de cargos e havia tentado emplacar Moreira Franco em uma diretoria da estatal. A indicação foi rejeitada por Fernando Henrique, que, no entanto, aprovou o nome de Delcídio, engenheiro de formação e ex-secretário do Ministério de Minas e Energia. Em novembro do ano passado, Delcídio chegou a ser preso pela Lava-Jato por tentativa de facilitar a fuga de Cerveró e evitar sua delação. Como se vê, ele tinha todos os motivos para manter Cerveró calado. Ao comentar o caso, Fernando Flenrique defendeu a investigação das denúncias.


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