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BC reduz a Selic em 0,25 ponto para 14%, primeira queda em quatro anos:

Esse corte na taxa vai proporcionar uma economia ao Tesouro Nacional de R$ 2 bilhões em juros relativos ao estoque de R$ 800 bilhões em letras financeiras (LFT) nos próximos 12 meses

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem – por unanimidade – a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano, sem viés. É a primeira queda adotada pelo BC desde outubro de 2012.

Em seu comunicado oficial, os diretores argumentaram que a inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte, em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos.

“A inflação mostrou-se mais favorável no curto prazo, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; e o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom”, considerou a autoridade, em nota.

O comitê entende que a convergência da inflação para a meta em 2017 e em 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias. “O comitê avaliará o ritmo e a magnitude da flexibilização monetária ao longo do tempo, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5%”, relataram.

Os membros do Copom também consideraram o esforço do governo pelo ajuste fiscal das contas públicas com a aprovação em primeiro turno do teto de aumento de gastos (PEC 241). “Os primeiros passos no processo de ajustes necessários na economia foram positivos, o que pode sinalizar aprovação e implementação mais céleres que o antecipado”, disseram.

Na avaliação da economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro, na decisão do BC de reduzir em 0,25 ponto percentual, o colegiado preferiu adotar a parcimônia. “O Banco Central foi bastante seguro em sua decisão, mas deixou aberta uma porta para a intensificação da queda de juros daqui para frente”, diz a economista.

Tatiana aponta a possibilidade da taxa básica de juros recuar para um dígito (menos de 10% ao ano) até o final de 2017. A última pesquisa Focus do Banco Central, que consulta analistas e economistas do mercado, aponta a Selic em 11% ao ano no final de 2017.

Segundo o economista e coordenador do curso de economia do Ibmec-MG, Marcio Salvato, a decisão do Copom considerou o recuo nas expectativas de inflação pelo mercado, a redução pequena de preços administrados como a gasolina (da Petrobras), e de energia elétrica, em algumas concessionárias. “A inflação está cedendo”, disse Salvato.

Para o economista, e também sócio da consultoria Grant Thornton no Brasil, Paulo Funchal, a inflação de setembro em 0,08% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) colaborou para a decisão de reduzir os juros. “Ainda há riscos de componentes climáticos nos preços dos alimentos, mas não há mais inflação de demanda”, constatou o executivo.

Funchal também considerou como importante a questão da aprovação inicial da PEC 241. “Com o reequilíbrio fiscal há uma sinalização que o governo não precisará emitir dinheiro para pagar suas contas e gerar inflação”, disse.

“O corte sinaliza o início de um ciclo de quedas na taxa de juros, com impactos que serão sentidos mais à frente no consumo, no crédito, e na retomada do investimento pelas empresas”, diz Mauro Rochlin, professor de MBAs da FGV.

Em termos dos efeitos da queda da Selic, a redução de 0,25 ponto percentual deve proporcionar uma economia de R$ 2 bilhões em juros pagos no horizonte de 12 meses pelo Tesouro Nacional referente ao estoque de R$ 800 bilhões de Letras Financeiras do Tesouro. E também uma economia de cerca de R$ 2,4 bilhões em juros pagos pelo Banco Central em operações compromissadas (overnight), cujo estoque é superior a R$ 960 bilhões.

Repercussão

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao comentar ontem a decisão do BC, considerou que a inflação oficial está convergindo para o centro da meta de 4,5% ao ano. “Isso é positivo”, afirmou.

Na análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Banco Central acertou ao reduzir a Selic para 14% ao ano, diante de um cenário mais estável do que no passado recente.

“Neste novo ambiente, o BC pode baixar juros sem colocar em risco a seriedade de seus objetivos de combate à inflação. Mesmo que a situação econômica ainda seja ruim, a inflação dá alguns sinais de desaceleração com variação de 0,08% em setembro, a menor no mês desde 1998”, citou.

Na indústria, a retração foi considerada tímida. “Redução dos juros é sempre bem-vinda, mas a timidez do corte de 0,25 ponto percentual mostra que faltou coragem ao Banco Central para um corte maior da taxa de juros”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, associações paulistas.

“A decisão do Copom está na direção correta. Contudo, a continuidade e a intensidade do movimento dependem da concretização da agenda fiscal”, diz a Federação da Indústria do Rio de Janeiro (Firjan).

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) citou o contexto atual. “Esperamos que seja realmente o início de um ciclo de redução dos juros, que ainda se encontram em patamar elevado.”

“A queda dos juros é muito importante, inclusive para o estabelecimento do equilíbrio fiscal, pois o peso da Selic na dívida pública é imenso”, salienta Levi Ceregato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).

“O que mais precisamos agora são boas notícias como essa”, comentou Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).


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