Valor Econômico

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Ameaças vão de epidemias a desastres naturais:

Não haverá cidade inteligente se não for resolvida a questão da segurança pública, defende Edwin Diender, vice-presidente do setor de governo e serviços públicos da Huawei. Em sua apresentação na Futurecom, ele argumentou que, se a cidade não está segura, não faz sentido investir em dispositivos de cidade inteligente. O executivo observou que há hoje um amplo leque de ameaças na área de segurança pública: desastres naturais, epidemias, terrorismo ou conflitos, e situações imprevistas.

Diender cita o incidente ocorrido há dois anos, em Xangai, cidade de mais de 24 milhões de habitantes. Em 2014, muitas pessoas morreram pisoteadas em função de grandes deslocamentos vindos de diversos locais da cidade para uma mesma praça. Outro caso foi o ataque terrorista ao Charlie Hebdo, em Paris, em janeiro de 2015.

“De todos os sistemas de informação, nenhum conseguiu prever esses episódios. Isso cria desafios que as agências de segurança não conseguem antecipar. É preciso que se implante um sistema de alerta precoce de notificações”, sugere ele.

Diender observa que há uma falta de capacidade de se compartilharem informações entre as equipes de polícia, bombeiros e defesa civil, mesmo em Paris, que é classificada como uma das cidades mais inteligentes do mundo, com controle automático dos sistemas de gás, energia e dos edifícios. Tanto é assim que, logo depois, em novembro, a cidade sofreu novo ataque terrorista.

“É preciso fornecer um sistema de informação que conecte todos os demais sistemas já implantados e que se crie um canal com a população. A polícia deve se tornar o público; e o público, a polícia. Hoje a maior parte dos casos está sendo solucionada por informações levadas pelo público num modelo de segurança pública colaborativa”, defende Diender.

A Huawei oferece uma plataforma de segurança pública capaz de integrar informações de diversas agências, que aproveita imagens de câmeras já espalhadas pela cidade e transmite vídeo em tempo real. “O cidadão pode enviar um vídeo por Whatsapp, e essas imagens chegarem ao policial na ponta. Além disso, quem recebe a chamada pode acionar qualquer sistema de informação”, diz Diender.

No Brasil, embora os projetos de cidades digitais tenham se disseminado, a evolução para o conceito de smart city ainda deve levar um tempo. Isso porque os projetos de cidades digitais se limitaram à construção de redes para interligar os diferentes órgãos das prefeituras e, eventualmente, conceder conexão aos cidadãos. Mas o conceito de smart city envolve a oferta de serviços inteligentes, seja no gerenciamento da infraestrutura das cidades, seja em soluções que facilitem a vida do cidadão.

“A cidade inteligente vai mudar a vida das pessoas, alterando a sua experiência com a cidade”, resume Marcio Lemos, líder de internet das coisas da Accenture para a América Latina. Ele diz que uma das iniciativas nessa direção são as Parcerias Público-Privadas (PPPs) para iluminação pública que estão sendo feitas em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.

“Esses projetos podem ser um bom catalisador para iniciativas de cidades inteligentes e uma boa oportunidade porque a conta fecha. O mesmo recurso que se gasta mensalmente com a iluminação atual pode ser usado pela iniciativa privada para trocar a iluminação para LED com conectividade, que pode ser usada como um gateway de comunicação para a cidade inteligente” diz Lemos.

Kleber Faccipieri, gerente sênior de estratégia de marketing da Huawei, diz que, para ser bem-sucedido, o projeto de cidade inteligente, uma das aplicações de IoT, precisa de uma plataforma de integração e orquestração. A Huawei instalou laboratórios de IoT na PUC RS e na USP e está apresentando esses conceitos ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que está selecionando cidades para receber recursos para projetos de cidades inteligentes.

Jefferson Taborda, gerente de estratégia e marketing para governo da Huawei, diz que a primeira etapa é o aumento da cobertura celular para conectividade IoT nas frequências de 450 e 700 MHz e de 1.8, 2.5 e 2.6 GHz, além de frequências não licenciadas. Avalia-se também cobertura fixa para regiões metropolitanas que tenham infraestrutura de fibra óptica.


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