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Category : Notícias

‘Mar de Minas’ ressurge da seca e deve ter verão lotado:

Após estiagem de dois anos, turismo comemora retorno da água a Furnas

 

 

restaurantes, hotéis e
pescadores retomam
atividades depois da
subida do nível do lago
que banha 34 cidades

ENVIADO A CARMO DO RIO CLARO (MG

Os barcos, que estavam encostados, ligaram os motores novamente. Os píeres, antes obsoletos, voltaram a abrigar pescadores. Os hotéis também estão recebendo mais hóspedes e a economia apresenta sinais de melhora.

A volta da água ao lago de Furnas, que banha 34 cidades de Minas Gerais, tem propiciado a retomada de um setor que sofreu muito com a seca dos dois últimos anos.

A estiagem prolongada castigou o turismo do “mar de Minas” em ao menos 20 cidades, segundo Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas). Houve fechamento de hotéis, extinção temporária da piscicultura em alguns trechos e demissões em bares, restaurantes e marinas.

Em fevereiro de 2015, a seca fez o lago atingir apenas 10,62% de sua capacidade -o pior cenário desde 1999, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Embora a água já possa ser considerada farta na maioria das cidades, o lago ainda estava na última quinta (27) com 51% de sua capacidade, seis metros abaixo do máximo -subiu nove metros em relação ao ano passado.

Há dois meses, havia mais água do que agora, e o volume ainda pode cair ligeiramente até o início do verão. Mas os atuais níveis já permitem que atividades sejam retomadas até mesmo em lugares a mais de 100 km da hidrelétrica -por serem mais rasos, são os primeiros a ficar secos.

“Como está, suporta atender as demandas turística, náutica e da piscicultura. Vamos ainda passar por um período de seca, mas a tendência de recuperação total é muito positiva. O verão promete ser muito bom”, diz Fausto Costa, do comitê da bacia hidrográfica de Furnas.

Em Areado, uma das localidades distantes da hidrelétrica e onde a água tinha recuado três quilômetros, uma área usada como pasto para gado em 2015 agora já dá lugar novamente aos peixes.

Pescadores, como José Pereira, 62, estão felizes. “Estava difícil. Não tinha água, imagine peixe. Ano passado estava seco demais, agora melhorou muito”, diz ele, um dos 15 que pescavam mandis, piabas e lambaris na última semana.

Já em Carmo do Rio Claro, o enorme lago também voltou, para a salvação de Aldenir de Souza Costa, gerente
de dois empreendimentos turísticos e de piscicultura.

“As atrações são viradas para o lado da represa. Sem ela, o turista não vai no restaurante, porque ele fica na beira da água.Não tem graça sentar num quiosque e olhar para o meio do mato”, diz.

Segundo ele, o movimento com a volta da água já cresceu 50% no hotel, que comporta 80 pessoas. No local,
também são criadas cerca de 30 mil tilápias.

“O comentário de ‘não tem água em Furnas’ reflete em todo lago.Mesmo tendo água [em alguns lugares], reflete
como se não tivesse”, diz. O mesmo aconteceu em cidades como Alfenas, Fama, Guapé e Campo do Meio.

Gerente de um restaurante em Alterosa, Mauro Roberto Santos, fechava o estabelecimento três vezes por semana,
na seca. Agora, abre diariamente.

“O prejuízo era dobrado, porque eu fechava e comprava  peixe em outros lugares.Agora basta pescar aqui.”

DESENVOLVIMENTO

A hidrelétrica de Furnas existe desde a década de 1960 -a barragem foi concluída em 1963. Ela foi responsável pelo desenvolvimento do turismo em seu entorno, além de gerar royalties às cidades devido à área alagada para a geração de energia elétrica.

“O turismo voltou, ainda não na intensidade de cinco anos atrás. O importante era a recuperação depois da seca terrível dos últimos anos”, diz o gerente Costa.


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