Valor Econômico

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Category : Notícias

Empreendimentos adotam novas práticas sustentáveis:

O telhado do shopping Eldorado, em São Paulo, é verde. O motivo é nobre: dar destino adequado aos 800 kg de lixo orgânico gerados diariamente na praça de alimentação do empreendimento. Primeiro, o material passa por uma unidade de tratamento, onde recebe enzimas para se transformar em adubo. Em seguida, volta ao shopping, dessa vez para a horta orgânica de 5.000 metros quadrados que está na parte superior, onde é usado para fertilizar legumes, verduras e hortaliças.

O projeto Telhado Verde existe desde 2012 e reduz em até cem toneladas mensais a quantidade de lixo enviada ao aterro sanitário. “Além disso, os funcionários são convidados a participar voluntariamente do processo de compostagem”, conta Sérgio Nagai, superintendente do Eldorado. São investidos R$ 15 mil ao mês para manter o projeto funcionando.

Assim como o Eldorado, outros shoppings espalhados pelo Brasil apostam em soluções criativas e sustentáveis para diminuir seu impacto no meio ambiente e, de quebra, atrair clientes e diminuir despesas. No Pantanal Shopping, em Cuiabá, no Mato Grosso, o protagonista é o projeto #Bastaumgesto em parceria com uma cooperativa de catadores de resíduos da região, que em dois anos quadriplicou a média de resíduos reciclados (59 toneladas mensais atualmente). Já no Park Shopping Canoas, em Canoas, no Rio Grande do Sul, a administradora Multiplan investiu R$ 7 milhões na revitalização do Parque Getúlio Vargas, em frente ao empreendimento, incluindo três árvores solares com placas fotovoltaicas que produzem energia utilizada para iluminar o local.

“Essa preocupação sustentável vem do crescimento do protagonismo da responsabilidade social empresarial”, explica Marcelo Freitas, autor do livro Sustentabilidade em Shopping Centers no Brasil. “Além disso, a entrada de investidores internacionais nessa indústria acelerou o processo de profissionalização do setor”, afirma.

Segundo Freitas, é preciso que exista um programa institucionalizado que englobe várias áreas do empreendimento para considerar um shopping ambientalmente responsável. “É comum a prática de ações isoladas, o que é bom, mas não ideal”, diz. Para ele, é necessário pensar em ações voltadas para infraestrutura, água, economia de energia, reciclagem e educação ambiental em conjunto, além realizar e reavaliar essas atividades continuamente.

No Center Vale Shopping, em São José dos Campos, a 90 km da capital paulista, há 12 anos existe uma fábrica de sabão para reaproveitar o óleo usado na praça de alimentação. São retirados 1022 litros da substância dos restaurantes por mês, que se transformam em 6.200 pedras de sabão cuja fabricação é feita internamente duas vezes por semana. Depois de pronto, o sabão volta para os restaurantes de acordo com a quantidade de material doada. “Impedimos que o óleo chegue à rede de esgoto, causando entupimentos, contaminando o solo e os mananciais da nossa região”, explica Gilberto Brito, gerente de operações do centro comercial.

Além da fábrica de sabão, o shopping do Vale do Paraíba tem outras iniciativas focadas no meio ambiente, como uma estação de tratamento de efluentes (do volume total de 4.000 metros cúbicos de esgoto por mês, mais da metade é tratada e reutilizada) e um sistema chamado Vaga Certa, que facilita a localização de espaços no estacionamento e reduz em 40% a emissão de gases poluentes. “As ações são pensadas como mudança em processos e comportamentos e o ganho retorna para todos”, afirma Brito. O que é obtido com reciclagem, por exemplo, ajuda a subsidiar mais de um terço dos gastos do condomínio com lixo anualmente.

O Parque Dom Pedro Shopping, em Campinas, no interior paulista, também soma diversas ações em seus cuidados com sustentabilidade: todo o esgoto gerado pode ser reaproveitado por meio de uma estação de tratamento por osmose e ultrafiltração. A água de reúso é empregada internamente para abastecer ar condicionados e vasos sanitários. “O volume de água reaproveitada seria suficiente para abastecer uma cidade de 15 mil habitantes e o consumo de água nobre caiu em 10,06% por meio dessas ações”, conta Guilherme Marini, superintendente do empreendimento.

O shopping também instalou 10.037 luminárias de LED, que passaram a iluminar as áreas comuns do empreendimento, gerando economia de 106.835,78 Kwh anuais, 65% menos que no ano anterior. As sobras de alimento são reaproveitadas para produção de ração animal e o óleo de cozinha da praça de alimentação (8 toneladas por mês) é encaminhado para a fabricação de massa de vidro e biocombustível. “Mais da metade do valor investido diretamente pelo shopping para ações ambientais já foi recuperado”, diz Marini.


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