O Globo

  • 0

O Globo

Category : Notícias

No enriquecimento (George Vidor):

Se tudo continuar correndo bem, em janeiro deve começar o processo de licenciamento da segunda fase da usina de enriquecimento de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende. O investimento para que usina atinja uma capacidade de produção de 500 toneladas por ano — o suficiente para abastecer Angra 1,2 e 3, mais os reatores de pesquisa e o que será usado no futuro submarino nuclear brasileiro — é estimado em US$ 510 milhões.

Além do desenvolvimento tecnológico, a conclusão do projeto proporcionará ao país uma economia anual de divisas da ordem de US$ 51 milhões. Esse é o gasto com importação de urânio enriquecido que terá de ser feito para se preparar os elementos combustíveis das usinas nucleares.

O Brasil tem jazidas de urânio natural capazes de suprir a demanda interna e ainda garantir um razoável volume de exportação. Poucos países dominam a tecnologia do enriquecimento de urânio, que é necessário para se transformar o minério em elemento combustível de usinas nucleares que geram energia elétrica. Para esse fim, o urânio é enriquecido a 4,15%, muito menos do que destinado para armamentos (acima de 20%). De qualquer forma, há um controle internacional muito forte sobre usinas de enriquecimento exatamente para se evitar “camuflagem” de programas militares, como acontecia com o Irã antes da assinatura do acordo com os Estados Unidos e países europeus.

A INB é uma estatal que ainda depende de repasses do Tesouro Nacional. Somente com a conclusão da usina de enriquecimento é que a empresa passará a ter completa autonomia financeira. Pela primeira vez desde que foi criada, a INB hoje é presidida por um funcionário de carreira (José Carlos Tupinambá).


Leave a Reply