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E os IPOs podem decolar este ano, segundo analistas:

Nas contas da BM&FBovespa, número de oferta de ações pode chegar a 25 com melhora da economia

SÃO PAULO- A perspectiva de uma retomada gradual da economia faz com que empresas voltem a pensar em planos de crescimento e como conseguir dinheiro para executar seus projetos. E um caminho a ser considerado é o lançamento de ações na Bolsa. A expectativa entre os especialistas é de que, este ano, será mais aquecido para oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O mercado de capitais, contudo, não deve reviver os anos de 2006 e 2007, quando dezenas de empresas correram para a Bolsa para abrir capital. Mas também não se espera o marasmo de 2016, quando apenas uma empresa estreou na Bolsa.

No processo de abertura de capital, empresas e bancos de investimento que as assessoram analisam o mercado e, no momento adequado, fazem o registro da emissão na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Três companhias já estão nesse estágio: Unidas e Movida, do ramo de locação de automóveis, e a empresa de laboratórios Hermes Pardini. Outras emissões devem ser anunciadas ao longo do ano. Nas contas da BM&FBovespa, o número de operações pode chegar a 25 este ano.

Para Marcelo Millen, diretor da área de mercado de capitais do Credit Suisse, há espaço para novas ofertas, mesmo em um ambiente de retomada gradual da economia. Isso porque o investidor tende antecipar esse movimento e buscar por bons papéis. No entanto, ele alerta que só há espaço para empresas que possam fazem operações de volume elevado, uma vez que essa é a única forma de atrair o investidor estrangeiro.

Fazer uma oferta elevada, de cerca de R$ 1 bilhão, por exemplo, ajuda a atrair o investidor estrangeiro em um momento que a liquidez externa é elevada. Em geral, os gestores desses recursos que administram alguns bilhões gostam de comprar volumes maiores de ações em oferta. Se a operação é pequena, qualquer compra ou venda do papel que faça posteriormente, o efeito na cotação será elevado, aumentando a volatilidade dos fundos por eles administrados, justamente o que querem evitar.

Millen admite que a questão política pode atrapalhar a emissão de ações, incluindo o follow-on, que é a emissão por uma empresa já negociada em Bolsa. Mas se as empresas estiverem bem assessoradas, vão conseguir aproveitar os momentos de maior demanda:

— O mercado vai e volta muito rápido. Há espaço para a colocação de boas companhias. O que vai fazer a diferença entre quem vai conseguir ou não é a escolha do momento certo.

De fato, escolher o momento errado ou fazer uma sugestão de preço equivocada pode espantar a demanda. Foi o que aconteceu com a incorporadora Tenda, controlada pela Gafisa. No IPO, cancelado em dezembro, o preço do papel estava estipulado entre R$ 12,50 e R$ 16,50. No entanto, sem compradores, a empresa precisou fechar um acordo com um fundo de americano, e a ação no negócio saiu a R$ 8,13.

Em 2016, o mercado de ações contou com dez operações que somaram R$ 10,6 bilhões. No entanto, só uma delas foi de fato um IPO. A operação da Alliar, da área de saúde, foi eita em outubro, a primeira abertura de capital após uma seca que durou 15 meses. As outras nove ofertas foram de empresas que já eram negociadas na Bolsa. Em duas delas (Energisa e Sanepar), a liquidez das empresas era muito baixa e, com a oferta, elas ganharam destaque nas negociações.

RECORDE DE CANCELAMENTOS
E se houve pouca oferta de abertura, os registros de cancelamento, as chamadas ofertas públicas de aquisição (OPAs), bateram recorde. Foram 13 cancelamentos em 2016, entre eles os da Arteris, Banco Sofisa e Tec Toy. É o maior número da série da CVM, que tem início em 2016. A desvalorização desses papéis ao longo dos anos de crise e os custos para se manter uma empresa de capital aberto explicam esse número elevado. O empresário faz a conta e, às vezes, sua ação está tão baixa que compensa recomprar e se livrar de custos de auditoria e registro.

Com um baixo número de aberturas de capital e mais de uma dezena de OPAs, o resultado é um número menor de empresas com ações listadas na Bolsa. São atualmente 488, o menor número desde agosto de 2013, quando existiam 456 companhias listadas.

Em conversas com os bancos que assessoram essas empresas, a certeza é que 2017 tem tudo para ser muito melhor. Nas contas de André Rosenblit, diretor de mercado de capitais do Santander, o que está em vias de ser lançado, ou seja, ser protocolado na CVM, está em torno de R$ 20 bilhões, somando ofertas iniciais de ações e follow-ons:

— As empresas que venderem ao menos R$ 1 bilhão vão ter sucesso. Vejo oportunidade nas ligadas aos setores de serviços, varejo e financeiro. Além das três operações que já estão registradas, outras estão no forno e, se o mercado ajudar, já podem ser divulgadas logo no início do ano.

Ele espera que os estrangeiros voltem a ficar com uma parcela significativa das ações. Atualmente, está em torno de 50%, mas essa fatia já foi de mais de 70%. O executivo de um banco de investimento, que preferiu não se identificar, afirmou que, apesar do cenário político conturbado e das incertezas com um governo Trump nos Estados Unidos, a propensão à tomada de risco está maior, o que favorece essas operações na Bolsa.

— Quando começa o ano, o investidor está com um apetite maior porque tem o ano todo para garantir ganhos. Pode ter uma lombada no meio do caminho? Pode. Mas a volta do crescimento e da confiança indicam aumento de lucro das empresas e é isso que dá sustentação para o mercado — disse.

Empresas ligadas ao consumo, como as de área de saúde e locadoras de veículos que já pediram o registro, devem dar o tom em 2017. Um outro grupo é de empresas concessionárias de serviços públicos, uma vez que é preciso de recursos para os projetos de infraestrutura. Já outros setores que rondaram a Bolsa, mas nunca foram para frente, precisam de uma economia mais aquecida. É o caso da empresa de aviação Azul. Ela já fez o registro para seu IPO por mais de uma vez mas teve que voltar atrás.


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