DCI (SP)

  • 0

DCI (SP)

Category : Notícias

Baixa demanda por energia abre espaço para mudanças:

Expectativa. Mudanças em 2016 foram vistas por especialistas como positivas e cenário pode ser favorável para a resolução de entraves neste ano. Transmissão terá maior volume de negócios

São Paulo – A baixa demanda por energia prevista para 2017 pode abrir espaço para o avanço da agenda de mudanças regulatórias. Se o setor fizer a lição de casa, a retomada do consumo em 2018 pode ocorrer em um mercado menos exposto a riscos, avaliam especialistas.

Para o pesquisador Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as mudanças na gestão do setor em 2016 têm apresentado resultados positivos, como no ajuste de leilões de transmissão, que resultaram em um certame bem sucedido no segundo semestre.

“O principal problema do sistema elétrico brasileiro para 2017 é a queda da demanda derivada diretamente da crise econômica e política que o Brasil enfrenta, refletindo na possibilidade concreta de sobrecontratação das distribuidoras e da redução da contratação, via leilão, de novas unidades geradoras”, destaca o especialista.

Mas para ele, a sobra de energia no sistema pode dar fôlego aos reguladores para mudar mecanismos de comercialização. Ele relembra a crise hídrica de 2013 a 2015 como um fator que comprova a necessidade de alterar o modelo de indexação da exposição comercial dos agentes ao preço da energia.

“Seria muito importante também termos ações mais concretas na priorização da retomada de construção de usinas hidrelétricas, incorporando, na avaliação do Gesel com base em estudos desenvolvidos desde 2010, a construção da hidrelétrica binacional com a Bolívia, na bacia do Rio Madeira, abrindo uma possibilidade de construção de outras hidrelétricas na Bolívia, direcionadas para o mercado brasileiro”, defende.

Embora sejam empreendimentos de médio prazo, novos projetos de geração não devem surgir neste ano, ainda influenciados pela confiança em baixa.

O governo estaria ainda avaliando a realização de um leilão reverso, como mecanismo para empresas com projetos de geração contratados, mas que ainda não entraram em operação, possam desistir dos lotes, em resposta ao excesso de energia contratada. A afirmação foi feita por uma fonte do setor à agência Reuters.

Leilões

Já a área de distribuição terá o avanço do mercado livre e a geração distribuída no radar dos reguladores, além do esperado movimento de consolidação. “A gestão do novo ministro de Minas e Energia tem sido positiva e a perspectiva para os leilões é melhor”, observa a sócia da consultoria KPMG, Franceli Jodas.

O leilão de seis distribuidoras da Eletrobras este ano, diz ela, não deve ser tão fácil como o da Celg-D, realizado no fim de 2016. Mas a consultora aposta nos ajustes a serem feitos pelo corpo técnico dos agentes do setor para atrair investidores.

“O mercado para as distribuidoras pode ser positivo e devemos ter uma consolidação. Porque temos investidores além dos chineses olhando para o Brasil”, cita ela. A possível revisão do marco regulatório do setor elétrico é outra mudança que pode ter espaço em 2017.

Na avaliação dela, um dos principais problemas da gestão elétrica nos últimos anos, consenso entre os entrevistados pelo DCI, foram as alterações na regulamentação do setor, feitas em partes e muitas vezes sem considerar o impacto em todas as áreas da indústria elétrica.

“A visão que essa gestão do ministério tem, e que eu gosto, é que precisamos pensar no todo, tendo pensar no todo e uma visão clara de para onde vamos e, a partir desse ponto, definir por etapas o que será feito. E precisamos de um marco regulatório mais robusto, que consiga dar suporte aos agentes em um período de seca e que possa se ajustar ao estresse do mercado de curto prazo”, diz Franceli.

A aguardada publicação do plano decenal e do plano de longo prazo do setor elétrico pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 2017 deve dar sinais mais claros para o setor.

“Teremos um ano movimentado com aperfeiçoamento nos leilões de energia, a publicação do plano decenal, do plano de longo prazo 2050 e de intensas discussões sobre o aprimoramento do modelo setorial, que buscará um setor energético dinâmico, com harmonia e integração na atuação entre as instituições e suas equipes. Buscaremos soluções que sejam robustas, que só serão obtidas com muito diálogo e utilizando a inteligência distribuída do setor”, afirma o presidente da EPE, Luiz Augusto Barroso.

O licenciamento ambiental, entrave constante em empreendimentos de geração e transmissão, continua na pauta dos especialistas. A EPE, conta Barroso, está trabalhando para aumentar o diálogo entre os órgãos ambientais. Já o Ministério de Minas e Energia (MME) se limitou a declarar que respeita “o papel institucional de cada um desses entes”, sem sinalizações claras sobre eventuais mudanças no licenciamento.

Transmissão

A área de transmissão, que vinha sofrendo nos últimos anos com o esvaziamento crescente dos leilões e problemas com licenciamento ambiental, pelo menos para o primeiro problema parece ter encontrado a solução. Com a realização bem sucedida de um certame no fim de 2016, a transmissão parece ter voltado ao radar dos investidores e deve ter volume relevante de negócios no próximo ano.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou no dia 16 de dezembro a abertura de uma audiência pública para colher contribuições para o edital do leilão de transmissão de energia que deve ocorrer no primeiro semestre de 2017. De acordo com a agência reguladora, serão ofertados 34 lotes de empreendimentos distribuídos por 16 estados, num total de 7.373 km de linhas de transmissão. Ao todo, o certame deve gerar cerca de R$ 12,7 bilhões em investimentos, estima a Aneel. “Os leilões de transmissão vinham patinando nos últimos 3 anos, mas agora eles [agentes do setor] conseguiram fazer regras mais atrativas e, desse ponto de vista, foi muito positivo. A nossa visão é que os investidores voltaram a olhar para o setor, que finalmente voltou à pauta de investimentos internacionais”, cita Franceli, da KPMG.


Leave a Reply