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Perspectiva positiva para a Bolsa, com ajuda da Selic:

Retomada da economia será lenta, mas analistas já veem Ibovespa aos 75 mil pontos no fim do ano

“A queda da Selic vai se refletir no resultado das empresas ao longo do ano. Não veremos lucros excepcionais, mas crescentes” Marco Saravalle Analista da XP Investimentos

Analistas, como Roberto Padovani (foto), enxergam boas perspectivas para a Bovespa em cenário de juro baixo -SÃO PAULO- Os sinais de retomada da economia mostram que ela se dará a passos lentos, mas, ainda assim, os analistas estão confiantes de que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) terá um desempenho positivo este ano. A aceleração da queda da taxa básica de juros (Selic), na semana passada — o Banco Central (BC) fez um corte de 0,75 ponto, para 13% ao ano —, corrobora essa expectativa. Entre os mais otimistas, a aposta é que o índice de referência chegará aos 75 mil pontos em dezembro, o que seria a maior pontuação do Ibovespa em seus quase 50 anos de história. Sua valorização, nesse caso, atingiria quase 25% — abaixo dos 38,9% registrados em 2016, mas ainda assim um avanço significativo.

No cenário interno, contribuem para essa expectativa a trajetória de redução da Taxa Selic, a possibilidade de novas concessões e um ambiente de maior confiança. Esses fatores devem abrir espaço para o crescimento do lucro das empresas e, consequentemente, para a valorização dos papéis negociados em Bolsa.
Para André Carvalho, chefe da área de análise do Bradesco BBI, nem mesmo a turbulência externa, com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, e as incertezas políticas no Brasil estão conseguindo frear esse bom humor. No entanto, ele recomenda que o investidor seja bastante seletivo ao colocar dinheiro na Em resumo, será um ano de valorização, mas restrito a determinados papéis.

— Acreditamos que o Ibovespa pode chegar perto dos 73 mil pontos em 2017, o que é uma valorização em torno de 25%, e que a taxa de juro média vai cair. Ou seja, será possível conquistar um rendimento bem superior ao da renda fixa. Mas há risco, e o investidor precisa ser bastante seletivo na escolha de sua carteira — avalia. RECURSOS ESTRANGEIROS Da carteira do Bradesco para o ano, Carvalho destaca as empresas que ganham com a queda de juros, uma vez que a Selic deve ter uma redução expressiva e, inclusive, voltar para a casa de um dígito. Entre elas estão a Transmissão Paulista, Cesp e Copel. As estatais que estão passando por um enxugamento de despesas também podem ter uma recuperação de preços, como Petrobras e Banco do Brasil. Ainda entre as prediletas do banco, estão a exportadora Klabin, a Raia Drogasil e a BM&FBovespa.

A queda dos juros é um fator que beneficia de forma direta e indireta os negócios na Bolsa de Valores. Primeiramente, com uma Taxa Selic mais baixa, o investidor começa a ficar mais propenso a tomar risco, sentindo-se mais confortável em migrar parte de suas aplicações para a renda variável. Mais gente na Bolsa significa valorização dos papéis. O segundo ponto é o endividamento das empresas. Muitas têm empréstimos elevados e atrelados à variação da Selic. Se a taxa cai, cai a despesa fimular nanceira e aumenta o lucro, o que justifica o investimentos nesses papéis.

— Estamos otimistas. Já temos alguma sinalização de crescimento na economia e vemos uma redução da alavancagem das empresas. A queda da Selic vai se refletir no resultado das empresas ao longo do ano. Não veremos lucros excepcionais, mas crescentes — afirma Marco Saravalle, analista da XP Investimentos.
André Rosenblit, diretor de mercado de capitais do Santander, é um dos mais otimistas com a Bolsa neste ano. Do lado externo, ele vê uma liquidez abundante de recursos, ou seja, os estrangeiros estarão interessados em colocar o dinheiro aqui. Internamente, a redução dos juros pode estiBolsa. mais pessoas a apostarem na renda variável.

— Nos países emergentes, cerca de 5% da população investe na Bolsa, mas no Brasil isso chega a 400 mil pessoas físicas, 0,2% da população, o que é muito baixo. Isso é compreensível por causa dos juros elevados, mas a queda deve ser alta, o que torna a Bolsa mais atraente — diz Rosenblit, acrescentando que, para cada um ponto percentual de corte na Selic, a bolsa tende a subir entre 8% e 10%. — Achamos que a Bolsa pode atingir 75 mil pontos até dezembro.
Entre os papéis que ele destaca estão Banco do Brasil, Bradesco e BM&F Bovespa.

— O BB tem um potencial grande devido ao corte de custos. No caso do Bradesco acreditamos que o mercado ainda não colocou no preço do papel os benefícios com a compra do HSBC Brasil. O mesmo com a BM&FBovespa, em que apostamos em ganhos de sinergia com a Cetip — explica Rosenblit, citando Hypermarcas, Taesa, Sabesp, Cosan e Metal Leve como outras ações que devem ter um forte desempenho ao longo de 2017.

RISCO POLÍTICO NO RADAR
O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, também vê uma forte relação entre queda dos juros e alta da Bolsa. Com isso, devem sair na frente as empresas que se beneficiam com uma Selic menor, como as do setor de energia, as administradoras de shopping center e as concessionárias de rodovias. Em um segundo grupo, as companhias mais endividadas.

— As empresas de varejo se beneficiam menos da taxa de juros porque estão mais atreladas ao ciclo econômico. Elas até capturam a queda da inflação e dos juros, mas o desemprego ainda está em alta, e isso não favorece o consumo — afirma Padovani.

Apesar do otimismo, ele vê uma série de riscos associados à economia brasileira, que podem prejudicar o ciclo de alta da Bolsa. O principal é o risco político. O Votorantim estima que o Ibovespa chegue ao fim de dezembro aos 65 mil pontos, ou seja, perto do patamar atual.

Já para a Spinelli Corretora, o Ibovespa pode fechar 2017 aos 71 mil pontos. A carteira recomendada conta com 12 papéis, entre eles Itaú Unibanco, Braskem, Petrobras, BM&FBovespa, Grendene e Eztec.

— A curto prazo, o mercado imobiliário não se recupera. Mas, no decorrer do ano, provavelmente mais para o fim de 2017, pode haver uma recuperação, por isso colocamos uma empresa do setor na carteira. Achamos a Eztec, apesar de toda a retração nesse segmento, uma empresa interessante — afirma Samuel Torres, analista da Spinelli.

No dia seguinte à decisão do Copom, as ações do setor imobiliário tiveram forte alta, já que, com juros menores, o financiamento da casa própria pode voltar a caber no bolso do consumidor. Na ocasião, a Eztec subiu 3,35%. Já a Gafisa saltou 7,55%, enquanto a Cyrela teve alta de 2,99%.


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