Valor Econômico

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Apesar de indicadores negativos, Sergipe projeta melhoras em 2017:

Atolado na recessão, o Estado de Sergipe registrou, ao longo de 2016, resultados negativos em praticamente todos os indicadores econômicos. Muito dependente dos investimentos públicos que, em 2016, sofreram ajuste fiscal da União, somou retração da atividade industrial, redução da produção de petróleo e déficit primário acumulado da ordem de R$ 776,5 milhões. O comércio sofreu queda de 9,9% no volume de vendas – acima da média nacional, de 6,2% – e houve diminuição de -2,4% no consumo residencial de energia. Sergipe também fechou o ano com um saldo negativo de 15.653 no estoque de empregos formais – pior resultado apontado no Estado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), segundo Luís Moura, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de Sergipe.

Grande produtor de petróleo e gás natural, o Estado encerrou 2016 com 11,2 milhões de barris equivalente de petróleo (BEP) contra 12,5 milhões no ano anterior, queda de 10,4%, segundo dados do Núcleo de Informações Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES). A produção de gás natural foi mais bem sucedida, com mais de 6 milhões de BEP, aumento de 9,9%.

Por conta desses resultados acanhados, em 2016, o pagamento de royalties de petróleo e gás natural foi equivalente a R$ 69,8 milhões, segundo a FIES, uma redução de 28,6% em relação ao período anterior. No comparativo, as transferências acumuladas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) cresceram 3,2%, em termos reais. O repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) aumentou 4,5%, descontada a inflação.

Apesar do quadro vigente, o economista da FIES, Rodrigo Rocha, vislumbra boas perspectivas daqui para frente: além da expectativa de uma retomada no setor da construção civil, Rocha lembra que já está em curso, na região portuária de Sergipe, a implantação da maior obra termelétrica projetada no país e na América Latina: a UTE Porto de Sergipe, que integra o Complexo de Geração de Energia governador Marcelo Déda ao lado de duas outras unidades. A obra, cuja conclusão está prevista para 2020, resulta de arranjo institucional do qual participa a gigante petrolífera Exxon Mobil e receberá um aporte superior a R$ 5 bilhões, gerando, ao longo de sua construção, 1,7 mil empregos novos.

Enquanto a UTE Porto de Sergipe não deslancha, não há motivos para o otimismo, diz Moura, do Dieese: “Não percebo uma reversão da situação fiscal do Estado, que tem parcelado salários e atrasado o pagamento dos servidores. As maiores empresas do Estado – Petrobras e Vale – estão desisvestindo, os bancos federais (Caixa, BNB, BB) estão demitindo e o acesso ao crédito está restrito para empresas e trabalhadores”.

“Temos um problema previdenciário grave. Adotamos várias medidas para conter as despesas, mas a sustentabilidade de longo prazo vai depender do ajuste da previdência, da retomada da economia e de importantes reformas na máquina pública”, diz Lacerda. Apesar disso, diz ele, há motivos para estar otimista. “Mesmo sem capacidade de injetar recursos próprios no desenvolvimento, o governo conta com investimentos em infraestrutura produtiva e urbana, água e saneamento, saúde e educação.”


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