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Cemig planeja abrir capital de subsidiárias para reduzir dívida:

Empresa busca sócios para áreas de transmissão e distribuição de energia

A Cemig planeja vender uma participação majoritária em duas unidades e listá-las nas Bolsas de São Paulo e de Nova York nos próximos meses, uma medida que poderia ajudar a terceira maior concessionária de energia do Brasil a reduzir a dívida e diminuir o peso das decisões governamentais na empresa, disse uma pessoa com conhecimento direto do plano ontem à agência Reuters.
O estado de Minas Gerais, que detém 17% do capital da concessionária e controla sua administração, anunciará o plano no próximo mês, uma vez cumpridos alguns requisitos legais e operacionais, disse a fonte, que pediu anonimato para falar livremente sobre o plano.

EXPECTATIVA DE LEVANTAR R$ 4 BI
As subsidiárias, a empresa de geração e transmissão de energia elétrica Cemig GT e a empresa de distribuição de energia Cemig D, são de propriedade total da Cemig.

As negociações com parceiros potenciais, que incluem um banco de investimento brasileiro não divulgado, uma empresa de investimento da América do Norte e uma empresa de energia elétrica da Ásia, estão em estágio avançado, disse a fonte.

Uma vez que o estado de Minas Gerais defina a entrada dos sócios para participação na Cemig GT e a Cemig D, ambas as empresas serão capitalizadas e, em seguida, sua oferta pública inicial será lançada, segundo a fonte.

A Cemig está considerando contratar dois bancos de investimento nacionais e um estrangeiro para subscrever a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês), da qual a empresa espera arrecadar cerca de R$ 4 bilhões (US$ 1,3 bilhão), disse a fonte.

Os recursos da operação serão usados para reduzir a dívida de R$ 13,7 bilhões da Cemig. A dívida da concessionária triplicou nos últimos cinco anos, após uma onda de aquisições e uma decisão do governo Dilma Rousseff de renegociar os contratos de energia com as concessionárias, em 2012.

A assessoria de imprensa da Cemig não quis comentar. O gabinete do governador de Minas Gerais, Fernando Pimental, também se recusou a comentar.

Essa estrutura da transação de venda do controle de subsidiárias da Cemig permite que Pimentel atenda às regras estaduais, que proíbem uma venda direta da controladora aos investidores, ao mesmo tempo em que dá um grande passo para a solução de uma crise fiscal que afeta o terceiro estado mais populoso do país.

MEDIDA EVITARIA PRIVATIZAÇÃO
Reportagem do GLOBO publicada ontem mostrou que Rio, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, os três estados para os quais foi desenhado um projeto de recuperação fiscal, ainda estão longe de alcançar as exigências previstas no texto para poder receber ajuda da União. Até agora, os três não cumpriram nem metade das seis principais exigências. Uma delas é a autorização para a privatização de estatais nos setores financeiro, de energia e saneamento.

Vender o comando das subsidiárias é um movimento mais palatável politicamente do que uma privatização da Cemig, o que exigiria uma emenda à Constituição do estado.

O presidente da Cemig, Bernardo Salomão, disse a membros do sindicato de trabalhadores da empresa que há planos para vender o controle de várias usinas de energia na semana passada. Os líderes dos sindicatos prometeram se opor a qualquer tentativa de vender a Cemig ou ativos principais para investidores privados.


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