Folha de S. Paulo

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Category : Notícias

Por apoio no Congresso, Temer quer lotear estatal da área nuclear:

Governo indica afilhados de três deputados, mas enfrenta resistências na própria empresa

Nomeações ferem a nova lei das estatais; interesse seria obter votos para aprovar a reforma previdenciária

Em seu esforço para aprovar a reforma da Previdência, o governo tenta lotear a diretoria da Nuclep —estatal que fabrica equipamentos para o submarino nuclear da Marinha e da usina de Angra 3— com afilhados de parlamentares contrários à medida. Os nomes indicados para ocupar a presidência da empresa,
a diretoria comercial e a diretoria administrativa financeira são, respectivamente, de pessoas ligadas aos deputados Alexandre Valle (PRRJ), Aureo (SD-RJ) e Celso Pansera (PMDB-RJ). Áureo e Valle fazem parte da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social na Câmara, criada em agosto e que é contra a proposta. Paulinho da Força, fundados do Solidariedade, hoje faz oposição à reforma. No início do mês, as indicações foram rejeitadas pela comissão interna de elegibilidade da Nuclep, formada por três técnicos da companhia, por estarem em desconformidade com a nova lei das estatais. De acordo com a lei, fica vedada a indicação para direção de estatais de pessoas que tenham atuado como dirigentes de partidos, participado de campanhas políticas ou prestado serviços à União e demais poderes nos últimos três anos. Os três nomes, contudo, não cumprem os requisitos. O indicado à presidência é Saulo Farias (PRB), que tem longo histórico político em Itaguaí, cidade da região metropolitana do Rio onde fica a fábrica da Nuclep. Farias foi candidato a viceprefeito da cidade derrotado nas últimas eleições municipais, cuja chapa era encabe- çada por Alexandre Valle. Faria também aluga carros de sua empresa e uma sala comercial em Itaguaí ao deputado, pagos com cotas parlamentares de seu gabinete. Já o indicado por Aureo à diretoria comercial é Luiz Renato Almeida. Ele já ocupou cargo na gerência do Ministério do Trabalho em Duque de Caxias, também por indicação do deputado. O terceiro nome, para a diretoria administrativa financeira, é Luciana Camargo da Silva, que foi cabo eleitoral de Pansera, tendo-lhe doado R$ 2.000 nas eleições de 2014. Nas redes sociais, ela diz ser
uma “Panserete”. À exceção de Silva, que tem pós-graduação em gestão pú- blica, os outros dois indicados foram apontados pela comissão como pessoas sem notório saber para desempenhar as funções. A Nuclep é considerada empresa estratégica, por lidar com informações confidenciais a respeito da construção
do submarino nuclear da Marinha, além de operar um porto em Itaguaí. A Folha apurou que as indicações ocorreram à revelia do ministro Gilberto Kassab,
titular da Ciência e Tecnologia, e que teria a prerrogativa nesse caso, já que a Nuclep é vinculada à pasta. O governo manteve as indicações mesmo após a negativa da comissão, forçando a decisão para o Conselho de Administração da Nuclep, que daria a palavra final em reunião nesta quarta (15). Temendo derrota, porém, o governo recuou. Procurados, o Palácio do Planalto e Ministério da Ciência e Tecnologia não se pronunciaram.


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