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Category : Notícias

Governo busca apoio de bancos no exterior:

Com queda de desembolsos do BNDES, participação do investimento de órgãos estrangeiros de fomento, como o CAF e o BID, pode crescer e surgir, inclusive, em concessões de infraestrutura

São Paulo

O governo federal busca fontes de fomento no exterior para compensar a diminuição dos desembolsos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos últimos anos.

Exemplo disso foi a participação do ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), Dyogo Oliveira, na reunião da Diretoria-Executiva da Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), que aconteceu na semana passada no Panamá.

Em nota divulgada pelo governo, foi destacado que o Brasil buscou “fortalecer sua posição” junto ao órgão, que reúne 18 países latinos da América e da Europa.

Na opinião de especialistas consultados pelo DCI, esse movimento visa ampliar as fontes de investimento brasileiras, principalmente por causa da queda dos desembolsos do BNDES.

“Somos membros do CAF há bastante tempo [desde 1995], mas não usávamos esse instrumento com frequência. Agora, com a menor liberação de crédito no País, a tendência é que esse quadro tenha mudanças”, afirmou Welber Barral, ex-secretário de comércio exterior.

Em 2016, o BNDES emprestou R$ 88,257 bilhões para os projetos apoiados, um recuo de 35,1% na comparação com o ano anterior. No confronto com 2013, quando houve o pico do investimento, a baixa chega a 35,7%.

Segundo Barral, os aportes do banco latino poderiam, inclusive, auxiliar nas obras que estão sendo leiloadas atualmente pelo governo, como de aeroportos, concedidas ao setor privado na semana passada, e de rodovias.

No ano passado, o CAF desembolsou cerca de US$ 8,43 bilhões para os países membros. Dessa quantia, US$ 3,23 bilhões (38%) foram para empréstimos de médio e longo prazos e cerca de US$ 5,1 bilhões (60%) para linhas de créditos de empresas e bancos.

Destino de 24% do montante, o setor de infraestrutura figurou entre os principais ramos apoiados no período, ao lado de bancos privados (29%) e públicos (18%).

Entre 2011 e 2015, projetos no Brasil receberam pouco mais de US$ 9 bilhões do CAF. O pico foi atingido em 2013, com US$ 2,234 bilhões. Naquele ano, o empréstimo foi usado por entes públicos, como o governo de Minas Gerais, e privados, como a Odebrecht.

De acordo com Barral, as taxas de juros do banco são semelhantes àquelas praticadas atualmente pelo BNDES. “São bastante vantajosas para projetos de desenvolvimento.”

Sobre a parceria do Brasil com o banco estrangeiro, Oliveira ressaltou que o País aumentou sua participação acionária nos últimos anos e se beneficia com as “ações promovidas pelo CAF no continente sul-americano”.

No comunicado do governo, foi colocado que o organismo internacional é “uma das maiores fontes de financiamento multilateral na América Latina”, perdendo apenas para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (BIRD).

Em termos financeiros, o CAF possui patrimônio líquido na de US$ 10,47 bilhões e carteira de empréstimos e investimentos de US$ 22,36 bilhões.

Além do Brasil, constam na lista de associados ao banco: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal, Uruguai, Venezuela e outros países latinos.

Mais parcerias

O governo federal também se aproximou do BID nos últimos meses. Uma operação aprovada no começo de dezembro de 2016 deve trazer US$ 750 milhões ao País.

“Com foco [a operação] no aumento da participação de energia renovável alternativa – eólica, solar e biomassa – na matriz energética brasileira e em eficiência energética”, de acordo com o BNDES, que captou os recursos.

A parceria entre os dois bancos no setor energético, que deve contar com outros projetos, pode render “até US$ 2,4 bilhões”, segundo o BNDES.

No ano passado, o BID aprovou 241 operações financeiras no valor de US$ 11,660 bilhões para a América Latina, uma alta de 3,5% na comparação com o valor concedido em 2015.

Na separação por setores apoiados no período, destaque para infraestrutura (41%), que foi seguido por instituições financeiras (40%) e empréstimos corporativos (19%).


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