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Category : Notícias

Com estabilidade de preços, mercado espera avanço global das perfurações:

Apesar da reação discreta das cotações, especialistas já enxergam a possibilidade de retorno dos investimentos, inclusive no Brasil. Porém, alertam para os riscos dos próximos leilões no País

São Paulo

Com a recuperação gradual das cotações do petróleo, o mercado está mais otimista com a possibilidade de avanço das perfurações no mundo, inclusive no Brasil. No entanto, especialistas apontam riscos acerca dos leilões previstos para este ano no País.

A CEO da OGE Óleo e Gás Consultoria, Claudia Rabello, afirma que o governo federal precisa garantir que a atual política de conteúdo local é perene. “Em um primeiro momento, as regras valeriam apenas para a próxima rodada de licitações, mas depois o governo ampliou as normas para os futuros certames. É preciso deixar essa questão bem clara para não afastar investidores”, avalia.

Com a estabilização dos preços do petróleo, cotado hoje na casa dos US$ 50 o barril, o mercado já vê uma discreta reação no setor. “Não podemos classificar o momento atual como uma retomada do crescimento, mas já é possível afirmar que os investimentos voltarão em breve”, pondera a diretora da FTI Consulting para o setor de óleo e gás, Ilma Garcia.

Ela explica que, até o ano passado, o setor passava por um período de completa inércia. “Os preços não devem voltar ao patamar acima de US$ 100 de alguns anos atrás, mas a tendência atual é que as perfurações voltem a ocorrer”, destaca a analista.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reacendeu o ânimo do setor recentemente ao demonstrar que vai apoiar fortemente os negócios de combustíveis fósseis, que vinham sofrendo forte resistência, especialmente de segmentos de energias alternativas.

“Há espaço para todos os tipos de investimentos, que podem ocorrer de forma paralela. E o Brasil deve ter um papel de destaque no setor de óleo e gás com o desenvolvimento do pré-sal”, comenta Ilma.

Na semana passada, a Petrobras divulgou que seu custo de extração saiu de US$ 14,1 por barril, em 2014, para US$ 10,3 no ano passado. Na camada pré-sal, esse valor ficou abaixo de US$ 8 por barril.

Ilma lembra também que as perfurações de xisto nos EUA cresceram nos últimos meses, após uma queda vertiginosa decorrente do recuo das cotações. “Há um movimento de novos aportes no mercado norte-americano, bem como acenos no resto do mundo.”

Ela estima que a taxa de crescimento dos aportes no setor, em 2017, deve ser de um dígito. “O mercado global ainda está passando por um momento de readequação. Mas sem dúvidas o próximo ciclo deve ser mais estruturado e sustentável”, aponta Ilma.

Para Claudia, as empresas tiveram que se adaptar ao novo contexto de cotações. “As petroleiras e fornecedores estão revendo seus processos e já estão mais preparadas para um contexto adverso. Por esse motivo, o mercado global deve voltar a ter novos investimentos”, destaca a consultora.

Leilões

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) está decidindo quais áreas serão ofertadas na 14ª Rodada de Leilões, que deve ocorrer junto com o segundo leilão do pré-sal. Segundo informou o governo neste mês, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) está concluindo a lista dos blocos que serão apresentados para aprovação do CNPE.

Claudia, que foi superintendente da ANP, acredita que a Petrobras só deve entrar nos leilões se as áreas forem atrativas. “A companhia deixou de ser um veículo que só atende aos interesses do governo para ter sucesso e lucro. Por isso, só deve entrar em disputas com boas garantias de exploração.”

No entanto, Ilma reforça que é prematuro partir para grandes leilões sem definir as questões que envolvem conteúdo local de maneira assertiva. “Os planos da Petrobras não devem ser frustrados com a nova política, mas o tema ainda é altamente controverso, porque afeta principalmente os fornecedores. Neste sentido, o governo precisa encontrar um equilíbrio para toda a cadeia produtiva”, observa.

Já Claudia salienta que a flexibilização da política de conteúdo local foi necessária. “Hoje, as empresas estão com mais segurança para investir. Este foi um gargalo que prejudicou fortemente a 13ª rodada de licitações”, conta. “Mas acredito que as próximas devem sim atrair investidores.”


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