Valor Econômico

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AB InBev usará 100% de energia renovável:

De São Paulo

AB InBev, a maior fabricante de cervejas do mundo e controladora da Ambev, está mudando a sua política de compra de energia. A meta é até 2025, daqui oito anos, usar apenas fontes renováveis como energia solar, eólica, biomassa ou eletricidade proveniente de pequenas centrais hidrelétricas (PCH).

A ideia é negociar contratos de longo prazo com fornecedores, criando demanda garantida a estes por 10 a 15 anos, informou a AB InBev ao Valor. Esse tipo de contrato deverá fornecer de 75% a 85% da energia consumida pela companhia. O restante virá de tecnologias como painéis solares e biomassa, instalados dentro ou perto das fábricas da AB InBev. A companhia estima que em 2025 sua demanda por energia seja de 6 terawatt/hora por ano.

O anúncio da nova política de compra de energia foi feito na terça-feira, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto que pode desmantelar as bases criadas pelo ex-presidente Barack Obama para limitar as emissões de gases-estufa das usinas térmicas a carvão.

O CEO da AB Inbev, Carlos Brito, tratou de esclarecer, à Bloomberg, que o “timing” foi uma coincidência e que o anúncio não teve conotação política. Lutar contra mudanças climáticas com energia renovável é bom para os resultados da companhia, disse ele, acrescentando que “nós apenas achamos que isto é bom para o nosso negócio e para o ambiente.”

Com essa estratégia, a AB InBev calcula que deve se tornar o maior comprador corporativo de energia elétrica renovável do setor de bens de consumo no mundo, reduzindo em 30% a sua “pegada operacional de carbono”, ou seja a quantidade de CO2 ou de outro tipo de gás-estufa que contribui para o aquecimento da Terra.

O primeiro acordo de longo prazo assinado pela AB InBev para comprar energia renovável foi assinado no México, onde a companhia tem a sua maior fábrica, em Zacatecas. A Iberdrola vai fornecer 490 gigawatt/hora por ano e vai construir uma unidade de energia eólica que deverá começar a funcionar no primeiro semestre de 2019.

No Brasil, a Ambev assumiu o mesmo compromisso anunciado pela matriz e terá que bancar a sua produção, daqui a oito anos, apenas com energia de fontes renováveis. Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de suprimentos da Ambev, é o executivo encarregado de cumprir a meta. Para ele, a nova estratégia significa “ter uma operação cada vez mais sustentável, reduzindo ao máximo o impacto no meio ambiente”.

A Ambev consome cerca de 1 terawatt/hora de energia por ano, das seguintes fontes: hidrelétrica (76% do total), térmica (13%), eólica (6%) e de pequenas centrais hidrelétricas (5%). A companhia considera que a energia hidrelétrica é, sim, renovável, mas para cumprir a meta anunciada pela matriz em 2025 esse tipo de energia será comprado apenas de pequenas centrais hidrelétricas (PCH), que são aquelas com geração superior a 3 megawatt e inferior a 30 megawatt, explicou a Ambev.

Segundo a AB InBev, o seu compromisso para 2025 “terá o mesmo efeito positivo que remover as emissões de quase 500 mil carros da atmosfera”. Com a meta anunciada nesta semana, a maior cervejaria do mundo também passou a fazer parte do RE100, um grupo de 89 empresas que já declararam o compromisso de usar apenas eletricidade 100% renovável. Dentre elas, está a fabricante e varejista de móveis Ikea e a Coca-Cola Enterprises, que opera na Europa Ocidental.


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