Valor Econômico

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Engie diz ter mais de 15 interessados em térmicas a carvão:

Energia – Mesmo sem vencer lotes em leilão, empresa mantém planos para entrar em setor de transmissão

Mais de 15 empresas manifestaram interesse nos ativos de geração a carvão colocados à venda pela Engie Brasil Energia (antiga Tractebel Energia), até o momento. Segundo o diretor-presidente da companhia, Eduardo Sattamini, a etapa de sondagem de mercado ainda está em andamento.

“Ainda estamos no processo de recebimento dos acordos de confidencialidade. Hoje já temos mais de 15 interessados com acordo assinado ou em processo de assinatura”, disse o executivo, ao Valor. “A sondagem de mercado segue em curso. Quando essa fase se encerrar, iremos enviar informações detalhadas sobre os ativos aos interessados, dando continuidade à operação.”

Os ativos à venda são o complexo termelétrico de Jorge Lacerda (SC), de 857 megawatts (MW) de capacidade, e o projeto da usina Pampa Sul (RS), de 340 MW, que está com 55% das obras concluídas e tem previsão de início de operação no fim de 2018. Pampa Sul tem investimento previsto de R$ 1,8 bilhão e receita anual fixa de R$ 590 milhões.

A medida faz parte da estratégia do grupo franco-belga Engie de descarbonização de seu parque gerador e de ampliar a atuação em geração distribuída.

Com relação ao setor de transmissão de energia, a Engie continua interessada no segmento, mesmo após sair do leilão de segunda-feira sem arrematar nenhum lote. “Infelizmente não conseguimos ganhar nenhum lote. No final, foi muito bom o processo. Estávamos competitivos. No lote número 1, o maior deles, chegamos a disputar no [na etapa de] viva-voz. […] Fomos até o limite que consideramos razoável para gerar valor”, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Carlos Freiras. “Vamos continuar analisando com carinho a entrada em transmissão”, completou, em teleconferência com analistas sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre.

Neste período, a empresa obteve lucro líquido de R$ 450,7 milhões, 29,8% superior aos três primeiros meses de 2016. Na mesma comparação, a receita operacional líquida cresceu 0,2%, para R$ 1,606 bilhão, e o Ebitda saltou 11,7%, para R$ 885,5 milhões.

Freitas também disse que a companhia continua olhando oportunidades de aquisições no setor elétrico. Segundo ele, a empresa tem espaço para aumentar a alavancagem e a eficiência de seu balanço financeiro.

Um movimento nesse sentido já é esperado: a incorporação da fatia de 40% da holding Engie na usina de Jirau, de 3.750 MW de capacidade, no rio Madeira (RO), prevista para começar ainda neste ano.

O executivo contou ainda que a companhia manterá uma parcela da ordem de 9% de energia de sua carteira descontratada, para lidar com as incertezas em relação ao déficit de geração hídrica, medido pela escala GSF (na sigla em inglês). “Achamos que manter 9% de energia disponível não vendida é um nível razoável para enfrentar dúvidas em relação a GSF e PLD [Preço de Liquidação de Diferenças, utilizado na liquidação do mercado de curto prazo]”.

Na avaliação do Credit Suisse, a Engie, assim como outras geradoras hidrelétricas, deve ser pressionada pela alta dos preços de energia no mercado à vista e pelo maior risco hidrológico ao longo deste ano. Os resultados da companhia vieram em linha com o esperado pelo banco, refletindo o impacto da maior alocação de contratos de hidrelétricas neste trimestre. Com isso, a Engie conseguiu um bom resultado no mercado de curto prazo, apesar de ela mesma ter alocado um volume menor de energia no período.

Apesar do resultado, o Credit Suisse mantém recomendação de venda para as ações, por esperar que o GSF e os preços altos de energia vão pressionar os geradores hidrelétricos. Para o banco, a Engie deve ficar exposta a esses problemas, apesar de ter baixo endividamento e ser bem sucedida na gestão de contratos.

Com relação ao mercado, após a queda de 0,9% das vendas de energia no primeiro trimestre de 2017, ante igual período do ano passado, Freitas disse esperar uma melhora ao longo do ano. “O setor industrial está começando a melhorar. Esperamos ao longo do ano uma performance melhor da venda de energia”.


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